Psol: Socialismo e Liberdade através da Polícia Federal13 de abril de 2009
Não deixa de surpreender a revelação permanente da completa integração, que se mostra cada vez mais claramente, do Psol ao regime político burguês e pró-imperialista. Mesmo depois de defender a entrega de dinheiro público para os grandes capitalistas nacionais e até estrangeiros, como no caso da Volks, a repressão aos sem-terra, de ter a campanha eleitoral financiada por grandes empresas, como a Gerdau, e de ter como responsável pelo programa de Segurança um ex-policial do assassino Batalhão de Operações Especiais do Rio de Janeiro e, principalmente, a participação ostensiva na campanha da direita internacional liderada por Bush, agora demitido, e por Ratzinger .
Salta aos olhos, neste momento, o empenho deste partido, que se reivindica socialista, em defender e fazer campanha em favor do delegado da Polícia Federal responsável pela Operação Satiagraha, Protógenes Queiroz, que recebeu o burlesco apelido de "delegado da esperança" e que, inclusive, segundo se apregoa por todos os lados, sairia candidato por este partido nas próximas eleições.
Corremos o risco de cair no ridículo ao procurar explicar o óbvio, como, por exemplo, que a aclamação pública, clamorosa, de um delegado da Polícia Federal, é totalmente incompatível com qualquer socialismo, até mesmo o mais fajuto, como o do Psol. Mas diríamos mais, é também incompatível com qualquer programa democrático ou antiimperialista.
A polícia federal é um dos mais tenebrosos órgãos de repressão do regime dominado pelos banqueiros e grandes capitalistas nacionais e estrangeiros desde o regime militar, a qual serviu e cujo comando mantém com assassinos e torturadores uma linha não rompida em momento algum de continuidade.
Evidentemente, este partido, como todos os oportunistas e que estão numa política de direita e contra os trabalhadores, tem boas explicações para o fato. Como, por exemplo, de que Protógenes é um combatente implacável da corrupção no país.
Ou seja, é mostrado aos trabalhadores e à juventude como um herói nacional nada menos que um alto representante do órgão repressivo que é subordinado diretamente ao Ministério da Justiça, e portanto, ao presidente da República, encarregado de "apurar infrações penais contra a ordem política e social" e, ainda segundo a Constituição "em detrimento de bens, serviços e interesses da União (...), assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme".
A mesma Polícia Federal que está querendo indiciar os estudantes da Unifesp, reprimidos na tentativa de ocupar a reitoria desta instituição em protesto contra o reitor corrupto Ulysses Fagundes Neto, e a mesma que pretende agora realizar uma investigação para reprimir, desta vez de maneira institucional, os sem-terra. Casos contra os quais, vale notar, o Psol não emite uma nota sequer de protesto.
Mais que isso, Protógenes não está, nem de longe, à margem da instituição. Ao contrário, esteve à frente de uma Operação que foi a mais cara da história da Polícia Federal, indicando um amplo apoio da burguesia e do governo a esta. Como todos os membros da Polícia Federal, o presumido "delegado da esperança" nada mais é que um instrumento nas mãos de um grupo de grande capitalistas contra outro que travam uma verdadeira guerra para utilizar o aparelho de estado a seu favor.
A Operação Satiagraha, supostamente visava a combater a corrupção e levou à prisão (por uma semana) do banqueiro Daniel Dantas, ligado ao Grupo Opportunity. No entanto, ficou claro que, longe de ser uma luta contra a corrupção em geral, era parte de uma briga entre setores da telefonia nacionais e estrangeiros, na qual Dantas era um dos menores.
Após a operação, ainda como parte da briga, Protógenes está sofrendo inquérito pela CPI das Escutas Telefônicas, após ter vindo à tona a realização de centenas de milhares de escutas ilegais e grampos telefônicos, inclusive com a utilização de arapongas da Abin (Agência Brasileira de Inteligência, antigo SNI).
Mas, "Para o Psol, é inadmissível que um delegado que investigou e conseguiu prender um dos maiores banqueiros do Brasil, Daniel Dantas, por operações ilícitas esteja, agora, sob investigação porque teria utilizado de escutas ilegais durante a Operação Satiagraha."
Ou seja, o Psol, em nome de um combate à corrupção - lema moral e irrealizável sob o capitalismo e tradicionalmente utilizado pela direita, também corrupta, contra governos de esquerda para os propósitos menos elogiáveis, como golpes militares - defende reforçar o aparato repressivo contra a população. Defende, inclusive, a espionagem do Estado, gigantesco aparelho voltado contra todo tipo de liberdade popular e contra os interesses populares. Entre a corrupção e o direito do leviatã nacional a atuar como o grande irmão de George Orwell, nosso coração não balança, nem pode os que lutam pelo socialismo ou pela democracia em nosso País.
A luta contra a corrupção é menos que uma utopia reacionária. É um miragem reacionária e idiota para consumo dos pequeno-burgueses conservadores do tipo que compõe a direita do Psol. Foi e é sempre a bandeira da direita mais reacionária (UDN, Arena etc.) para combater todo o tipo de programa de viés nacionalista ou popular no interior da burguesia. Levanta a bandeira da corrupção, um verdadeiro ouro de tolos, quem não defende verdadeiras reivindicações sociais de interesses das massas. É a substituição da vida terrena e do pão nosso de cada dia pela ilusão do espírito imaculado e da vida após morte.
Defende o uso de grampos e escutas ilegais pelos serviços de inteligência do governo, dos quais inclusive serão vítimas, serviços criados e desenvolvidos pelas mais tenebrosas ditaduras no país, para que a Polícia Federal e a Abin tenham as mãos livre para "prender um banqueiro", que não apenas não ficou preso e não é um dos maiores, como esta não é uma ação generalizada. O banqueiro-bandido continua solto, mas a Polícia Federal é santificada em uma ação repressiva inconstitucional que cairá sempre com mão de ferro sobre a luta dos explorados e oprimidos.
A Polícia Federal e a Abin não vão sair por aí prendendo todos os banqueiros e empresários corruptos, até porque não sobraria nenhum, e porque são eles que mandam no governo. Mas a institucionalização dos grampos e escutas ilegais e outros métodos típicos da dos governos mais repressivos, dos quais Protógenes é o maior defensor e inclusive afirmou que estes métodos foram empregados em pelo menos 160 operações, é apoiar uma medida que vai ser utilizada, e já está sendo, principalmente contra o movimento operário e popular e suas organizações.
Ao fazer a campanha do "delegado da esperança", grande irmão "pela esquerda", em nome do socialismo, da liberdade e dos trabalhadores, o Psol realiza uma campanha de verdadeiro envenenamento ideológico das massas que devem ser ensinadas a não confiar nem nos mais democráticos aspectos do regime político dos exploradores, que dirá nos seus órgãos repressivos. A tarefa de um verdadeiro partido socialista e de trabalhadores é a de fazer uma campanha sistemática junto aos trabalhadores contra o regime político, o Estado capitalista e, em particular, seu braço repressivo, uma espada de dâmocles colocada sobre a cabeça da classe operária e do povo e sua luta revolucionária.
Tudo isso, é claro, disfarçado de "socialismo" e, o que é mais irônico, "liberdade".
O PSTU, o PSol e polícia
18 de janeiro de 2009
Na edição de hoje, publicamos um longo artigo de polêmica com o Psol e setores da esquerda do PT que realizam uma campanha em defesa do delegado Protógenes.A política do Psol e de um setor da esquerda petista de fazer campanha em favor do delegado Protógenes e, por meio dele, da Polícia Federal do governo Lula e do aumento da repressão, representam um verdadeiro ataque à classe operária e toda população oprimida. Pois, como é claro e cristalino as maiores vítimas desta máquina de guerra contra a população - como se vê nos morros do Rio de Janeiro, nas greves operárias etc. - é sempre a classe operária, os negros, a juventude, enfim os setores mais explorados da sociedade. Nesta mesma semana, o PSTU e sua "central", o Conlutas, reproduziram em seu sítios eletrônicos uma nota de apoio aos "praças da polícia militar" de Santa Catarina, que conclama os "companheiros e companheiras do movimento sindical, popular, humanitário e progressista" a participarem da sua "luta".
A nota, constitui mais uma das iniciativas de apoio às "greves" e outras mobilizações de PM, Polícias Civis, Federal etc. que se tornaram comum para estes partidos.
A determinação em apoiar as reivindicações dos aparatos repressivos virou um princípio para esta esquerda pequeno-burguesa. O Conlutas, "central" do PSTU e seus satélites, chegou a aprovar em seu I congresso, em julho passado, o apoio à greve de policiais e até mesmo a entrada de entidades representativas dos militares no Conlutas.
A defesa das reivindicações dos integrantes da PM ou de qualquer outro órgão de repressão da classe operária, dos negros, da juventude e demais oprimidos, é inconcebível com a defesa dos interesses destes últimos.
Trata-se de uma política que só pode beneficiar a burguesia e seu regime político, em um momento em que a crise capitalista tende a impulsionar uma onda de mobilizações operárias e populares que, com certeza, vai se enfrentar com a repressão dos governos burgueses, através da PM e de todo o aparato repressivo do Estado.
A política de apoio às reivindicações salariais da polícia, a favor de seu melhor aparelhamento etc. equivaleria, no passado, a uma mobilização dos negros escravos, dos quilombolas, dos caifazes e demais organizações de luta contra a escravidão em favor do aumento do preço pago pelos senhores de escravos pela captura de negros fugidos das fazendas.
Uma conduta que mostra a total integração desta "esquerda" ao Estado burguês, incluindo, a defesa de suas organizações mais reacionárias, como a Polícia, o parlamento etc.
Uma política que serve apenas para tentar desarmar o movimento operário e a juventude diante das claras tendências ao aumento da repressão contra a população trabalhadora e a juventude que já se manifestam na etapa atual e tendem a se intensificar ante a enorme onda de lutas que os explorados vão realizar no próximo período.