Grécia em Revolta!
Confira a tradução do artigo de Savas Michael, presidente do Partido Revolucionário dos Trabalhadores (EKK), organização trotskista grega que está participando diretamente dos protestos que estão ocorrendo na Grécia
11 de dezembro de 2008
Atenas e toda a Grécia está em chamas desde o sábado à noite. O covarde assassinato de um jovem de 15 anos cometido por um membro da Guarda Especial da Polícia em Atenas no último sábado, 6 de dezembro, foi a causa de uma imediata revolta popular - particularmente da juventude - que se estendeu não só pela capital, mas por todo o País. Esta é, sem dúvida, a maior revolta desde os tempos da guerra civil nos anos 40 e desde o levantamento da Escola Politécnica contra a ditadura militar em 1973.
Imediatamente após a notícia da morte do adolescente, a zona próxima ao local onde ocorreu o assassinato - perto da Universidade Politécnica de Atenas - estava cheia de pessoas, sobretudo jovens. Os confrontos com a polícia antidistúrbios começaram e se levantaram barricadas nas ruas. O politécnico foi ocupado e foi feita a convocação de uma manifestação para o dia seguinte. Mobilizações similares tiveram lugar nesta mesma noite em Salônica, Ioanina, Creta, Patras e outras cidades gregas.
No domingo, dia 7 de dezembro, ao menos 20 mil pessoas se uniram à mobilização massiva até a Sede Central de Polícia em Atenas, que de pronto tomou a dimensão de distúrbios em massa que continuaram durante toda a noite.
Na segunda-feira, dia 8 de Dezembro, a partir das primeiras horas da manhã dezenas de milhares de estudantes muito jovens, com 15 anos ou menos, marcharam através de Atenas e ocuparam a frente da Sede Central de Polícia. A juventude ocupou e atacou estações da polícia e os municípios em todo o país, de Corfu a Rodas, de Evros no Norte a Creta no Sul.
Cedo, na parte da tarde, uma manifestação massiva em Atenas, o dobro do dia anterior, se transformou em choques generalizados com a polícia em toda a capital. A Faculdade de Direito da Universidade de Atenas, a Universidade de Economia de Atenas e a Universidade Politécnica estão todas tomadas e se discute em assembléias gerais o rumo das ações.
Hoje (8 de dezembro), foi anunciado e logo desmentido que a ala direita do primeiro-ministro, Costas Karamanlis, se reunirá com o presidente e líderes de outros partidos no Parlamento para explicar a necessidade de declarar o país em Estado de Emergência.
Os meios de comunicação social tratam de cultivar a histeria entre as classes médias contra as "gangues sociais" quem "aproveitam a lamentável morte do menino" para "destruir a propriedade privada e incendiar os bancos". A ex-ministra da Educação, Marietta Yannakou, que renunciou por causa do massivo movimento estudantil de 2006-2007, acusou "Trotskistas e anarquistas de meia idade de levar a cabo os motins através da ocupação da Faculdade de Direito de Atenas"!!
A revolta, obviamente, não é manipulada por ninguém. Nela se manifesta a explosiva situação produzida pela crise capitalista mundial. A rebelião é uma expressão da ira em massa acumulada durante o último período, quando a geração jovem tem uma vida sem futuro, em uma situação de miséria nas piores condições de flexibilidade trabalhista, do desemprego e um contínuo assédio policial. Milhares de meninos e meninas se identificaram com a vítima inocente, o jovem Alexandros Grigoropoulos e com seu trágico fim. Às vezes a explosão da sua raiva toma a forma de violência cega - como aconteceu na revolta nos bairros de Paris em 2006 - e este é o motivo para que muitos representantes da classe dominante peçam um "Sarkozy grego". Contudo, tanto em Paris como em Atenas, as verdadeiras causas são profundamente sociais. Na realidade são questões de classe.
O pseudo socialista PASOK [Partido Socialista], a oposição oficial, condena os motins e os membros da direção da Confederação Geral do Trabalho votaram junto com a direita para cancelar a ação em marcha em Atenas de uma greve geral de 24 horas na próxima quarta-feira, 10 Dezembro.
A esquerda oficialista tem também uma posição duvidosa. O KKE [Partido Comunista] stalinista não fez quase nada durante os primeiros dias além de enviar uma delegação para discutir com os dirigentes da Polícia, ou seja, com os assassinos. Não tomaram parte das manifestações e propõem uma "vigilância da paz social (para se prevenir) dos anarquistas e ultra-esquerdistas". O reformista Synaspismos (ex-Eurocomunistas) tentou exercer o papel de "mediador" entre o movimento de massas e o Estado.
A extrema esquerda, especialmente as forças de duas frentes, o Mera (Frente de Esquerda Radical, onde também nosso partido - EEK - participa) e a ENANTIA (Esquerda Unida anti-Capitalista), alguns maoístas e o Movimento de Luta anti-Autoritário (anarquistas), têm coordenado suas ações. Temos emitido conjuntamente uma chamada para uma contínua luta e uma greve geral para derrubar o governo dos assassinos e ponha fim às suas políticas capitalistas, que procuram fazer com que os explorados paguem pela crise do sistema. Decidimos adotar as seguintes medidas:
Amanhã, 9 de dezembro, uma manifestação massiva de alunos, estudantes e professores da Universidade tomará lugar em Atenas. Uma delegação da marcha participará do funeral do jovem Alexandros. Na parte da tarde, manifestações e ações de agitação serão realizadas em todos os bairros da classe trabalhadora.
Em 10 de dezembro, o dia de greve geral contra a decisão dos dirigentes do GSEE (Confederação Geral do Trabalho), organizamos uma marcha em Atenas e em todas as principais cidades do país.
O EEK intervém em todas as grandes cidades do país para transformar a greve em uma greve geral de duração indefinida e por um programa de transição das reivindicações dos trabalhadores socialistas como um caminho para sair da crise e contra o assassino Estado capitalista e seu governo, pelo poder dos trabalhadores.
Venceremos!
Savas Michael
8/12/2008
Mobilizações populares continuam na Grécia
14h - 11 de dezembro de 2008
Nesta quinta-feira, continuam a onda de mobilizações populares em Atenas, onde diversos conflitos entre manifestantes e policiais foram registrados. Os protestos iniciaram-se no sábado, quando policiais assassinaram um adolescente, desde então, as manifestações tem ocorrido diariamente, inclusive uma greve geral, deflagrada ontem, que paralisou o país por 24 horas.
Segundo informações da polícia grega, cerca de 1.200 pessoas, incluindo os partidos de esquerda, iniciaram na noite desta quinta-feira, manifestações pacíficas em Salônia, cidade ao norte de Atenas.
Segundo relatos da imprensa local, na manhã de hoje, centenas de manifestantes marcharam até o prédio do Parlamento, entoando palavras de ordem como "os assassinos devem ser punidos", e "um adolescente morto, o ódio aumenta".
Novos confrontos com a polícia ocorreram diante da prisão de Korydallos, a maior do País. Um grupo de estudantes haviam se reunido na frente da penitenciária para protestar contra a morte do jovem assassinado, e aguardando a transferência do policial acusado do crime.
Segundo noticiou a imprensa grega, o criminoso foi indiciado ontem sob a acusação de "homicídio voluntário". Um de seus colegas presentes durante o crime foi autuado também como "cumplicidade" da morte do jovem. Na manhã de hoje, os acusados foram enviados para o presídio de Korydallos, em regime de detenção provisória.
A manifestação entrou em conflito com a polícia quando os mais exaltados começaram a atirar pedra nas forças repressivas que estavam de prontidão no local. Os policiais reagiram com bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes.
Outros conflitos foram registrados também na faculdade de agronomia de Atenas, e em outros dois bairros na periferia da capital. Em um deles, na região onde o jovem morava, um grupo de 40 manifestantes revoltados avançaram contra a polícia empunhado pedras e pedaços de pau. Três pessoas foram detidas após a ação.
Diversos incidentes também aconteceram em outras capitais da Europa, como Roma e Bologna, na Itália, onde os manifestantes entraram em confronto com a polícia italiana enquanto protestavam contra a morte do jovem de 15 anos. Cinco policiais e um soldado terminaram feridos.
Outras manifestações que terminaram em novos enfrentamentos ocorreram em Madri e Barcelona, na Espanha e Bordeaux, no sudoeste da França, onde veículos foram incendiados diante do consulado da Grécia. Em Moscou também, um coquetel molotov foi atirado contra a fachada do consulado grego.
Algumas escolas e universidades gregas foram reabertas nesta quinta-feira, mas muitas delas ainda permanecem fechadas, com ocupações de estudantes. A liderança dos movimentos estudantis locais anunciaram que amanhã haverá mais uma grande manifestação nas ruas de Atenas.
Protestos se estendem por toda a Europa
18h - 11 de dezembro de 2008
Protestos da população contra o governo, que foram iniciados na Grécia, estenderam-se nesta quinta, 11, para outros países da Europa.
Vidraças de lojas foram quebradas, bancos saqueados e enfrentamentos com a polícia foram registrados na Espanha e na Dinamarca. Carros foram incendiados em frente a um consulado na França e manifestações aconteceram diante da embaixada grega em Roma.
Os protestos foram divulgados também pela internet, convocando jovens de 20 países diferentes a manifestar contra o governo.
O estopim de uma das maiores manifestações dos últimos 35 anos, foi a morte de um estudante por policiais.
Dois mil estudantes protestam e enfrentam a polícia em Atenas
14h - 15 de dezembro de 2008
Nesta segunda, cerca de dois mil estudantes secundaristas protestaram em frente à delegacia central de Atenas, que resultou em um confronto violento com a polícia.
Os estudantes bloquearam as principais avenidas da cidade. Ao tentar reprimir a manifestação, os estudantes revidaram, em resistência, com ovos e pedras.
Foram enviados 15 ônibus blindados e centenas de agentes "antidistúrbios", armados com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para reprimir os estudantes, que carregavam cartazes com os dizeres: "policiais porcos assassinos" e "esses dias são de alexis" (alusão ao jovem que foi assassinado pela polícia em uma manifestação).
Foram organizados também protestos em frente à delegacias por toda a Grécia.
Os protestos foram iniciados depois da morte de Alexandre Grigoropoulos, jovem estudante assassinado durante uma manifestação. Este foi o estopim para uma revolta geral no país.
Estudantes ocupam sede de TV e atacam a sede da polícia antidistúrbios na Grécia
14h - 16 de dezembro de 2008
Um grupo de estudantes atacou a sede da polícia antidistúrbios em Atenas nesta terça, 16. Houve também um confronto com a polícia na cidade de Tessalonica, norte grego.
Cerca de 30 jovens lançaram bombas de petróleo e pedras no prédio da polícia.
Outro grupo de estudantes ocupou uma sede da televisão estatal NET e mostraram no ar cartazes convocando as pessoas a protestarem nas ruas.
Jovens de todo o país protestam contra a violência e truculência da polícia para reprimir toda e qualquer manifestação. A morte do estudante provocada por um policial foi apenas a gota d´água para que os estudantes se mobilizassem e lutassem contra um sistema ditatorial imposto no país.
Estudantes gregos chamam grande manifestação para esta quinta
14h - 17 de dezembro de 2008
Os estudantes na Grécia continuam a manifestações na Grécia mesmo com a repressão policial.
Hoje cerca, depois de quase duas semanas da morte do jovem de Alexis Grigorópulos, de 15 anos, no bairro ateniense de Exarhia, ocorreram mais manifestações violentas.
100 estudantes ergueram duas grandes faixas em frente à Acrópole, um dos monumentos mais antigos do país.
As faixas diziam: "Dia Pan-europeu de Solidariedade contra a opressão do Estado. manifestação dia 18".
Pelo menos quatro protestos violentos ocorreram em diversos pontos.
Em Salônica, no norte da Grécia, houve saque de um supermercado. Segundo a imprensa internacional 20 homens encapuzados ocuparam o supermercado saqueando a comida e distribuindo entre a população pobre da região.
A sede da principal central operária, a GSEE, foi ocupada por trabalhadores que exigiram de sua direção manifestações contra a morte do estudante.
No bairro de Mijalakopulu, jovens apedrejaram e queimaram com coquetéis molotov um ônibus da polícia. No mesmo bairro adolescentes encapuzados lançaram pedras, ovos e farinha contra o tribunal.