INFORMATIVO CASESO
Centro Acadêmico de Serviço Social. Edição nº 2, setembro, 2º/2008 - Gestão BARRICADA 2008/2009.
A PARIDADE FOI PARA O RALO... E AGORA?
A maioria dos estudantes está acreditando que a paridade passou e que no final do processo eleitoral seus votos vão valer 13 na contagem geral dos votos. A paridade que foi aprovada no CONSUNI é a paridade falsa ou "potencial", nesta os votos dos estudantes valem 13 só se todos os estudantes comparecerem às urnas, ou seja, se 28.000 estudantes votarem.
A UnB tem 2.250 funcionários, 1.400 professores e 28.000 estudantes, geralmente, 90% do total de funcionários e do total de professores comparecem às urnas (votam nas eleições para reitor), vejam o golpe que nós estudantes levamos: para que tenhamos a paridade temos que mobilizar 90% dos estudantes, 25.200 pessoas! É completamente impossível mobilizar 25.200 estudantes para votar nas eleições, bem diferente de 2.025, que representam 90% dos funcionários, e de 1.260 entre os professores. Ora para a burocracia universitária (reitoria e professores que compõe o antidemocrático consuni) é fácil chamar 1.260 professores a votar, afinal são menos da metade de apenas 10% dos estudantes. O difícil para eles e que eles nunca abrirão mão é perder o poder que eles têm na universidade, poder de voto e nos conselhos, onde o nefasto voto proporcional prevalece (70-15-15).
E enquanto isso, o DCE que traiu a luta dos estudantes, com a promessa falsa de conseguir a paridade pelo CONSUNI (Conselho Universitário), faz uma campanha para incentivar os estudantes a votarem nesta eleição falsa! Como votar em uma eleição que nosso voto não vai valer nada? Depois de toda mobilização que nós estudantes mostramos sermos capazes de fazer, depois de tirar o reitor Timothy corrupto temos que nos sujeitar a uma eleição para reitor que é um golpe da burocracia universitária nos estudantes?
Paridade falsa X paridade real
Abaixo segue a fórmula das duas paridades e o peso dos estudantes com a paridade falsa.
Seguindo a fórmula da PARIDADE FALSA aprovada no CONSUNI temos:
PD - Peso dos Professores = (1/3) x (total de prof. votantes/total de prof. aptos a votar)
PE - Peso dos Estudantes = (1/3) x (total de est. votantes/total de est. aptos a votar)
PF - Peso dos Funcionários = (1/3) x(total de func. votantes/total de func. Aptos a votar)
PD = (1/3) x (1260/1400) ou (1/3) x (90/100) --- 90% de comparecimento às urnas
PE = (1/3) x (2800/28000) ou (1/3) x (10/100) --- 10% de comp. às urnas
PF = (1/3) x (2025/2250) ou (1/3) x (90/100) --- 90% de comp. às urnas
Portanto:
PD = 90/300 = 30%
PE = 10/100 = 3,33%
PF = 90/300 = 30%
O que significa que os professores e funcionários têm 30% dos 33,33% do seu peso potencial, enquanto que os estudantes têm somente 3,33% dos 33,33% do seu peso potencial. Levando em consideração as porcentagens de comparecimento às urnas que nas últimas eleições cada segmento teve (90% entre professores e funcionários e 10% entre estudantes)
Tomando agora estes novos pesos para calcularmos o peso real de cada segmento na prática temos uma regra de três, onde:
PD + PE + PF ----- 100 %
30 + 3,33 + 30 ----- 100 %
63,33% --------- 100 %
30% ------------- 47,36 % = Peso dos professores com 90% de comparecimento.
3,33 ------------- 5,27 % = Peso dos estudantes com 10% de comparecimento.
30% ------------- 47,36 % = Peso dos funcionários com 90% de comparecimento.
Seguindo a fórmula da PARIDADE REAL temos:
PD - Peso dos Prof. = (1/3) x (total global de votantes/total de votantes do segmento)
PE - Peso dos Est. = (1/3) x (total global de votantes/total de votantes do segmento)
PF - Peso dos Func. = (1/3) x (total global de votantes/total de votantes do segmento)
PD = (1/3) x (1260/1260) ou 1/3
PE = (1/3) x (2800/2800) ou 1/3
PF = (1/3) x (2025/2025) ou 1/3
Portanto :
Peso dos Professores = 33,33% Para qualquer % de comparecimento
Peso dos Estudantes = 33,33% Para qualquer % de comparecimento
Peso dos Funcionários = 33,33% Para qualquer % de comparecimento
Esta fórmula é a fórmula certa da paridade, pois leva em consideração apenas a quantidade daqueles que votaram (compareceram às urnas) de cada segmento. Os números são 1260 (90% dos professores), 2800(10% dos estudantes) e 2025 (90% dos funcionários). A paridade falsa leva em consideração para o cálculo do peso de cada segmento não apenas aqueles que votaram, mas a quantidade de pessoas total de cada segmento, inclui aqueles que não votaram, reduzindo o peso do segmento que tem maior quantidade de pessoas que é o estudantil.
O peso de cada segmento nessas eleições
Como a fórmula aprovada foi a paridade falsa a tabela a seguir relaciona a % de comparecimento com a % dos Pesos dos 3 segmentos (estudantes-professores-funcionários) nas Eleições
|
% de comparecimento (est-prof-func) |
% dos Pesos (est-prof-func) |
|
10 - 90 - 90 |
5,27 - 47,36 - 47,36 ("paridade" hoje) |
|
20 - 90 - 90 |
10 - 45 - 45 |
|
30 - 90 - 90 |
14,28 - 42,86 - 42,86 |
|
50 - 90 - 90 |
21,73 - 39,13 - 39,13 |
|
90 - 90 - 90 |
33,33 - 33,33 - 33,33 (paridade real) |
Vemos que o peso de cada segmento é proporcional à porcentagem de votantes desse segmento, por isso esta fórmula é chamada de paridade falsa ou potencial.
Se 10% dos estudantes comparecerem às urnas (em média é essa a porcentagem do segmento estudantil nas eleições para reitor) na contagem final dos votos os estudantes vão ter apenas 5,27% de poder eleitoral, contra 47,36% dos professores e funcionários. Imaginemos que os estudantes se mobilizem mais para essa eleição atingindo 30% de comparecimento às urnas (mobilizando 8.400 estudantes) ainda sim o voto dos estudantes valerá apenas 14,28%. Agora numa situação extremamente otimista, quase imaginária, de 50% de comparecimento às urnas (fazendo com que 14.000 alunos votem!) os pobres estudantes ainda sim terão 21,73% apenas de poder eleitoral, contra 39,13% dos professores e funcionários (o peso do voto dos estudantes vai valer apenas metade do peso dos professores).
Agora fica mais clara a disparidade da porcentagem dos pesos e o quanto esta eleição é antidemocrática, em que os professores, uma ínfima minoria, têm maior poder eleitoral que a grande maioria que compõe a universidade, os estudantes. As exigências são mobilizar "apenas" no mínimo 25.200 estudantes para que o nosso voto tenha o mesmo peso que o de 1.260 professores. Se os estudantes manterem a porcentagem de 10% de comparecimento às urnas, o voto de 1 professor = 20 estudantes! Ah! Sem contar que as universidades federais estão totalmente sob o julgo do governo, ou seja, as eleições são apenas uma "consulta" que o MEC deixa a universidade fazer, mas quem escolhe no final é o governo que pode aceitar ou não a indicação da universidade.
Cadê Bin Laden?
A gestão do CASESO foi criticada de terrorismo contra o DCE, de ter inimizades pessoais ou algo do tipo. Gostaríamos de esclarecer que isto é um engano. Apenas temos uma opinião crítica sobre determinados assuntos como, por exemplo, a paridade. A paridade falsa é um aparente "avanço" em relação ao voto proporcional das eleições anteriores, mas como bem explicado neste Informativo, mínimo diante do contexto de um movimento estudantil recém saído de uma Ocupação de Reitoria, e insignificante na luta do movimento estudantil pela quebra do atual paradigma que subestima os estudantes como incapazes de participar de todos os processos e esferas de decisão e gestão da universidade.
Porque votar nulo?
Diante da realidade que está posta, qual será a alternativa? A grande mobilização dos estudantes contra a corrupção do reitor e vice da UnB que culminou na ocupação da reitoria e retirou Timothy e Mamiya, fez os estudantes perceberam que só por meio da ação direta conseguem mudar alguma coisa na universidade. Depois de uma ocupação de reitoria, os estudantes não podem se contentar em aceitar o golpe da paridade falsa. Depois desse golpe e sabendo que nosso voto nada valerá, chamamos os estudantes a votar nulo nessas eleições! O Voto nulo demonstra que não aceitamos essa paridade falsa e que não estamos de acordo com essa eleição falsa, antidemocrática e fajuta! Não aceitamos ter nosso peso de voto tão rebaixado, não aceitamos os professores tendo muito mais poder eleitoral que nós estudantes!Não engolimos esse golpe da reitoria pró-temporie!
Para colocar algumas questões, acreditamos que mudar o reitor na universidade não muda nada! Temos que mudar estrutura de poder na universidade. Os estudantes são o setor mais progressista da universidade, são os mais interessados na melhoria e qualidade do ensino. Foram os estudantes que fizeram as várias ocupações de reitoria no país inteiro no ano passado e este ano, foram os estudantes aqui na UnB que retiraram Timothy, foram os estudantes na UNIFESP que acabaram de retirar o reitor corrupto, foram os estudantes na USP que se revoltaram contra o decreto de Serra que colocava a universidade totalmente subjugada ao seu governo. As manifestações e ocupações de reitoria feitas pelos estudantes foram todas pela melhoria no ensino, da universidade, contra a corrupção, o desvio de verba da universidade. A universidade é voltada para os estudantes, sua finalidade é o estudante. Com os estudantes participando ativamente dos processos de decisão e gestão da universidade as primeiras medidas seriam as reivindicações mais sentidas dos estudantes como mais contratação de professores, liberdade de conhecimento na universidade, o fim do jubilamento, o fim do vestibular, assistência estudantil, mais e melhor moradia estudantil, melhoria do restaurante universitário e melhoria do transporte público.
Agenda
23/09 dia de combate à exploração sexual e ao tráfico de mulheres e crianças.
28/09 dia de luta do caribe e da américa latina pela descriminalização do aborto - ocorrerá um grande ato em São Paulo pela descriminalização do aborto.
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